quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Valor X Preço


No curso de pós-graduação em Gestão Educacional do Senac-Rio discutimos a questão do Valor agregado dos produtos ou serviços em comparação com o preço praticado. Afinal, o que as pessoas percebem, o status que uma "grif" educacional pode proporcionar ou o preço que posso pagar? O que é mais importante ou valorizado pela opinião pública em geral.

Um aluno, Jesus Carlos P. Gonzalez introduziu a seguinte questão no debate:"Aproveitando o momento, queria introduzir o comentário sobre uma bela "sacada" da agência McCann-Erikson, que em 1997 criou um conceito que foi utilizado no mundo inteiro, e que também chama à discussão na questão preço X valor: "Priceless - There are some things money can't buy. For everything else, there's MasterCard". No Brasil foi traduzido como "Existem coisas que o dinheiro não compra. Para todas as outras existe MasterCard".

Pergunto: Um jovem universitário pagaria mais, a título de status, para estudar em entidades tidas como VIP (sem merchandising Jesus)e situadas em bairros nobres, mesmo sabendo que em outras escolas academicamente equivalentes, porém com instalações mais precárias, e nem tanto na moda, disporia de recursos similares (ou até melhores) para seu aprendizado?

Revirando meus relatórios após cada aula inaugural e as pesquisas com formandos notei que com o passar do tempo, muito pouco foi modificado na percepção dos novos clientes e vou reproduzir o comentário de um aluno que reflete o pensamento de grande parte dos jovens recém chegados a universidade, que acompanho desde 1995: "Escolhi a instituição X porque o preço é bom, tem muitas gatinhas lindas e oferece atividades diversas a um custo menor que em academias na cidade".

Pensamento machista a parte, pois acredito que o feminino não é tão diferente assim. Alguns chegam por causa do preço e outros tantos objetivam conviver com gente bonita e encontrar um amor...., etc e tal. A qualidade do ensino vem sempre em posições intermediárias.

Nesta faixa de idade e classe social (B-, C e agora D) o aluno não possui nossa percepção em relação a empregabilidade, afinal são jovens e em busca de aventuras, sexo, amores, relacionamentos, festas e vida social intensa. Lembro que já fui assim, ainda bem...rsrsrs. Clientes emergentes da classe D entendem que o ensino superior lhes trará uma possibilidade real de cambiar de vida e sair das áreas pobres da cidade.

Bem, no outro lado da moeda, os alunos que atuam no 6º período em diate já pensam um pouco diferente, onde a empregabilidade passa a se tornar um objetivo real, mas não descartam a continuidade das festas, amores, gente bonita... Ai a qualidade do ensino e suas condições de oferta (50% da responsabilidade), além da força de vontade e comprometimento do aluno (outros 50%) podem fazer a diferença positivamente.

Entendo que se a família do cliente tiver condições de pagar uma "grif" acadêmica, sim, ela poderá ocorrer. Mas se depender dos alunos "normais", cronologicamente adequados a sua idade social, o status não deve fazer a diferença na hora da tomada de decisão, no caso da educação, é claro.

Bem é chegada a hora de voltar para sala de aula. Deixo alguns questionamentos:

É possível que uma instituição de ensino pode se tornar uma Ferrari da educação?

Podemos nos sentir diferenciados por que estudamos em uma escola de ponta?

Afinal, o que buscamos, status sazonal ou conhecimento?

Volto em breve para continuarmos as discussões.

Um bom dia para todos.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Marketing X Tradição

Hoje educadores discutem a importância e influência do Marketing nas instituições de ensino. Como reza a lenda dos bons educadores, vamos resistir às inovações. Depoimentos do tipo: Vão transformar a escola em um balcão de negócios; A escola vai virar uma feira livre para vender aprovação.....
Bem, já se tornou um balcão politico partidário ha mito tempo. Escola e professores que aceleram seus alunos rumo a aprovação sem critérios, ou pior, aprovam sem que o aluno saiba ler e escrever, é o que caras pálidas da educação. Não é comércio? Alunos que não comparecem às aulas, não fazem provas e são aprovados é o que? Caridade?

O Marketing na educação, ou em qualquer ramo, objetiva proporcionar condições de sobrevivência no mercado. Uma escola ou empresa são criados para atender necessidades emergentes da população, e as ações de marketing analisam do cenário, observam o concorrente, as tendencias..... O profissional de marketing não entra em sala de aula para aprovar alunos que não estudam ou não frequentam a sala de aula, pois na escola eles estão presentes.

Diria a você que em cada ramo profissional existe a essência, que é o conhecimento. A parir dele desenvolvemos habilidades, técnicas..... O médico necessita de conhecimento para salvar vidas. Os advogados, engenheiros..., ou seja, adquiriram o conhecimento onde? A essência da educação é o ensino e a aprendizagem do conhecimento. Sem isso não adianta rotular de escola de qualidade, tradicional, de vanguarda, futurista ou saudosista.

O sujeito não vai aprender, então, o papel universal da escola deixa de existir e passa a ser um depositário de crianças e adolescentes. Um galpão humano que custa dinheiro para os pais, que buscam um espaço para deixar os filhos o dia inteiro esperando que aprendam, se eduquem (moral e eticamente) e desenvolvam suas habilidades em um grupo social, enquanto os responsáveis trabalham.

Acredito que se briga por muito pouco e se cada um, no mínimo, fizer a sua parte a educação, a instituição de ensino e a sociedade agradecem.

Sucesso e seja feliz!

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Cambios sociais a vista!

Estamos passando por um processo de mudança social e as instituições de ensino ainda não enxergaram. Lembro que em 1990, a Globalização "adentrava Brasil a a dentro" e as instituições de ensino ainda formando mão-de-obra barata para a industrialização. Um processo fordista de formação em massa não atendia ao mercado saturado das mesmas profissões de sempre. Nichos surgiam e não havia capital intelectual suficiente, ou nenhum, capaz de fazer a diferença nas empresas que já vivenciavam a tecnologia.

Poucos abnegados mostravam que a educação deveria ser continuada e que nossos jovens deveriam se capacitar constantemente. As IES continuaram sua caminhada confortável sem se preocupar com o amanhã. A graduação era suficiente para arrecadar. Depois o mercado pressionou e o "BUM" das pós-graduações, onde outra massa de jovens e adultos produtivos passaram por um processo de qualificação (sabe-se lá como, em alguns casos), para atender uma demanda mercadologica que rapidamente cambiou mais uma vez. Lembram da corrida ao "titulo"? A necessidade de Mestres e Doutores no mercado educacional gerou uma corrida ao título, que rapidamente esgotaram as necessidades das IES. Saturação no meio acadêmico e milhares de Mestres e Doutores sem emprego nos dias de hoje.

Bem, o amanhã é hoje e o cenário não é nada animador. Outra revolução educacional é necessária. Números elevados de matriculas não significam que pessoas serão alfabetizadas ou desenvolvidas para uma vida sócio-econômica mais competitiva. Hoje se acelera a massa de semi analfabetos rumo ao ensino médio. Mais uma vez para mostrar números a opinião pública.

Temo por uma geração de fracassados, onde a falta de capacidade intelectual os torne marionetes das facilidades. Um exemplo, jovens que buscam no narcotráfico uma forma de arrecadar para atender suas necessidades. Ou quem sabe, com algum talento, tentar o mercado da bola e, um dia, ser vendido para a Espanha ou Itália, ganhando milhões de Euros, projeção e glamourt.

A educação é um negócio, seja de ganho monetário ou em imagem pública, mas o ato de educar não pode se tornar apenas o objetivo impar, o de entrada na escola. Cada cidadão tem que ter um objetivo ao sair dela.