quinta-feira, 31 de maio de 2007

Teorema दे Tostines

Quarta, 16 Maio 2007
Mais um dia de labuta jornalística, clipar os jornais de grande circulação da cidade. Uma rotina prazerosa eu diria, que foi quebrada com um fato um tanto curioso. Manchetes de roda pé de primeira página de todos os jornais do Rio de Janeiro estampam a separação de um casal do mundo artístico.
Manchetada no caderno de fofoca seria mais apropriado, ou então, no caderno de cultura e lazer, quem sabe. Mas na primeira página misturado a política, economia, violência.... matérias jornalísticas de real apelo, não entendi.
Poxa, um casal do mundo artístico tupiniquim, então são celebridades, diria um leitor desprovido de conhecimento jornalístico, afinal, primeira página é lugar de notícias de peso e grande apelo social, pelo menos em tese.
É podemos dizer que são celebridades, guardando as devidas proporções é claro. Ai pergunto – que casal do mundo artístico valeria uma manchete de primeira página em todos os jornais da cidade, expondo um rompimento conjugal?
Acredito que você está pensando em alguns nomes de peso no cenário televisivo brasileiro, com bagagem, carisma e talento, reconhecido em todo território nacional.
Iniciando a leitura do primeiro jornal, manchete de roda pé...... “Viviane Araújo e o cantor Belo se separam”, grande coisa. Segundo informativo de grande circulação, “Viviane Araújo em busca de um novo amor”, talvez em tamanho....que sabe. Terceiro jornal, idem. Décimo veículo, ufa, mais Belo e Viviane, com direito a foto ao lado de carro importado, que só trabalhando 20 anos ou me elegendo deputado serias possível adquirir um modelo daqueles.
Perguntei. O que está acontecendo com as redações? Falta de pauta? Não tem matéria de peso no cenário nacional ou local? Ou ta feia a coisa? E pra vender jornal badala-se o “famoso (em Bangu 1) casal”, de reconhecido “talento”, pelo menos
Não tenho nada contra o casal, acredito que cada um deve ter seu lugar ao sol, até o Belo tem seu banho de sol diariamente, mas ocupar as primeiras páginas de todos os jornais, dois dias consecutivos, é um pouco de mais.
A polêmica está aberta, comente, opine. O espaço está aberto.
Deixo vocês com o teorema de Tostines:
O jornal vende mais por causa da presença da Viviane e do Belo?
Ou, Viviane e Belo vendem mais que o cotidiano tupiniquim?
MLarosa

Estudar pra que?

Ai, ai, ai....quanto mais eu rezo, mais um trapalhão aparece. Esta frase era da minha avó, mas hoje é bem pertinente. Estudei muito na vida, pelo menos comparecia até a escola para jogar bola. Depois veio o ensino médio, mais estudo, sexo e rock end roll. Ai cheguei até a universidade, poxa, mais ensino, sexo e rock, kid Abelha, Lobão, Ultraje à Rigor, Camisa de Vênus, até o Leo Jaime..... Bons tempo que não voltam mais. Depois o mercado ficou mais exigente e cursei pós-graduação. Ai o mercado resolve apertar mais um pouco, buscando um profissional mais competente, flexível, eficiente e eficaz. Um capital intelectual capaz de tomar decisões, ser criativo, participativo e com muita consciência do meu papel social. Bem, vai cursei um mestrado, ufa... Isso não para nunca mais. Educação continuada é uma realidade. Abro os jornais para a labuta jornalística e me deparo com a seguinte manchete – Prefeitura do Rio institui a “aprovação automática” na rede municipal de ensino. Assim, a Secretaria Municipal de Educação não vai mais reprovar seus aluninhos. O Larosa, isso é piada “ô pá”! Não caro leitor, não é piada lusitana, a Resolução 946/07, da Secretaria municipal de Educação do Rio, proíbe a reprovação dos alunos da rede de ensino fundamental. Resultado, festa nas escolas, alunos felizes e jogando pelada (Smiley, dormindo até tarde.... isso me lembra um grande craque do futebol carioca, que disse na latinha assim...”ô, peixe, treinar pra que...” Pois é, estudar pra que, se vou ser aprovado mesmo. Ir a escola? Pra que, se vou passar de ano mesmo.. Comprar uniforme escolar? Pra que, epa, pra que não, sem uniforme pago passagem no ônibus. Ai eu pergunto? Professor pra que, se não podem reprovar. Preparar aula? Lecionar o que e pra que, se eles não vão querer aprender mesmo. Falta professores de matemática? Contratar pra que, se não teremos alunos mesmo. Os professores estão indignados com o fato e se mobilizam para pressionar o prefeito e tentar revogar a Resolução 946/07. Segundo o sindicato da categoria uma manifestação está sendo programada para a porta da prefeitura, onde os docentes vão mostrar toda a sua indignação com o fato. Bem, como não tem aluno em sala mesmo, o jeito é promover passeata e mostrar para o prefeito César Maia que eles estão trabalhando. É....estudei tanto para chegar onde cheguei na vida profissional. E essa geração de crianças? Onde vão chegar.........Afinal, estudar pra que, se não tem emprego mesmo, nem vergonha na cara de dirigentes e sociedade que não toma uma atitude digna. Não pagar mais IPTU? Pagar IPTU pra que prefeito, se não precisamos de escola mesmo. Smiley

Foto: xafarica.weblog.com.pt/

segunda-feira, 28 de maio de 2007

Você se considera um “Ser Urbano?”

Bom dia amigos. É sempre uma felicidade estar de volta a cidade maravilhosa. Esse Rio de Janeiro de Céu azul, temperatura agradável, praias movimentadas em plena segunda-feira. Voltar pra casa é um ato gostoso, mas chegar de viagem e em especial, para o Rio, não tem preço. Ups, isso lembra um comercial. Pelas minhas andanças labutenses, um dia ainda vou viajar a lazer, estive pelo interior do estado. Pessoas agradáveis, hospitaleiras e desconfiadas do cidadão que vem da cidade grande.
Não seria preocupado Larosa, pois podem quebrar a rotina da pacata cidade?
Não caro leitor! De pacata não tem nada. Cidades próximas as capitais, em todo o Brasil, possuem um grande movimento, afinal, são municípios satélites ou dormitórios, berço de pessoas que trabalham ou estudam nos grandes centros e que nos finais de semana retornam com as características e agitos das grandes metrópoles.
Importam as festas, os modismos, os hábitos como um chopp de final de tarde (e até madrugada) e para não perder o discurso, a presença das drogas e da violência, características de Rio e São Paulo, só para citar as que lidaram as estatísticas negativas sobre o tema.
Estava eu comentando que não me sentia totalmente à vontade na cidade, um lugar calmo, temperatura próxima ao 10 graus, gente bonita....Poxa, mas que ainda faltava algo. Depois de um dia inteiro sem emoções, chega a noite. Fria e embalada por músicas, do estilo funk, bem ao longe ecoando entre a serra, o panorama não se mostra animador e tudo levava a crer que a madrugada seria calma.
Ao amanhecer, um ótimo café da manhã, típico do interior, com fartura e grandes possibilidades de ganhos, de peso é claro. Ao final do trabalho, em pleno domingo, descobri que a cidade parou. Fechou tudo, até os botequins(?). Famílias reunidas para o almoço deixaram a cidade mais clama que no dia anterior. Ahhhh, mais um dia assim e ficou louco. Mas, o que está faltando?
Tenho hospitalidade, calor humano, lazer e o melhor, recebendo para isso, e ainda assim algo me incomoda. A noite chegou e a hora de voltar se aproxima. Uma amiga pergunta.... “Você está triste?” Respondi que não. Ela perguntou mais uma vez. “Você não gostou da nossa cidade?” Respondi que adorei. Insistente, ela disparou... “Então o que falta?” Respondi mais uma vez...Não sei! Algo está errado ou fora da ordem social.
No caminho de volta, o cenário de vacas pastando próximo a pista, cavalos soltos, gente margeando a pista e até sentados a beira dela, foi se transformando, onde havia vaca, encontrei uma Van. Ah, no lugar dos cavalos barraquinhas de camelô a beira da estrada. Pontos lotados a espera do transporte coletivo de sardinhas, opa perdão de massa. Sinais....estou chegando a civilização.
Ao entrar na primeira via de acesso a cidade maravilhosa deparei com algo familiar, uma viatura da PM. Algo mudou mais uma vez. Senti uma sensação de bem estar, típico das pessoas que chegam ao seu lar. Quilômetros a frente, um policial militar parando os carros “BACANAS” e liberando os “CAIDINHOS”, poxa estou em casa, foi a felicidade de um “SER URBANO”.
Ai você me pergunta..... O que afinal te perturbou na pacata cidade do interior? Bem lembrado. A noite, assistindo em um telão de bar o jogo do mengão..... mais uma neles, ouvi o estampido. Seguido de mais outros e outros. No bar, nada de diferente, todos de olho na telona sem mexer um músculo. Gol do mengão. Festa no estabelecimento comercial e lá fora, mais estampidos, agora de grosso calibre.
Nesse momento entendi o que faltava. Na minha estada na cidade do interior não existia um elemento... o tiro. Não ouvi sequer um estalinho, aqueles de festa junina. Não visualizei uma viatura policial, nada que pudesse gerar um confronte seguido de estampidos proporcionados por armas de variados calibres.
Nós “Ratos Urbanos” que achamos normal uns estampidos promovidos por arma de fogo, não conseguimos nos acostumar com sapos, grilos e outros bichos proporcionando ruídos, substituindo os artefatos produzidos pela indústria de George W. Bush.
Não acredita?
Faça o teste.........